Já estamos em novembro e eu nem acredito que maio já passou.
Já estamos em novembro
e tudo o que eu lembro
não aconteceu
aqui.
Antes, novembro era novembro
e eu era eu.
Agora é uma ventania maluca
uma chuva de folhas
uma vida sem nunca
uma noite sem sol.
O frio corta a cara
E a boca e o nariz
tudo amarronza
tudo avermelha
tudo amarela
meu novembro
agora é assim.
(happy halloween)
Friday, October 30, 2009
Sunday, October 25, 2009
Não sei
Eu não me abro com ninguém, não conto os meus medos e nem percebo efetivamente os meus defeitos. Penso que meus planos são infalíveis, talvez eu tenha a sindróme de Cebolinha. Não sou clara em relação aos meus anseios e escondo os meus receios.
Eu não tenho ninguém pra recostar a cabeça e contar quem eu sou de verdade. Primeiro porque penso que ninguém quer saber, segundo porque não tenho de fato alguém.
Eu me sinto eternamente solitária e acho graça dos meus exageros.
Eu culpo tudo isso a mim mesma e não há nada que eu faça, por mais que eu queira, que possa me mudar. Aprendi que gente velha não muda. Mas eu não sou tão velha assim. Ou sou?
Vivo num não sei, mais ou menos, morno, claro-escuro.
Vivo num um dia que irá melhorar, na paciência que irá me salvar, na confiaça de um dia melhor que o outro.
Mas e eu mesma?
Tenho eu fé em mim?
Não. Meus dedos apontam os estranhos, minha língua julga os outros e eu me perdi na superficialidade do mundo. Será que posso mudar?
Eu penso nos valores que me foram ensinados, nos meus gostos refinados e nas qualidades que me restam. Eu penso que há bom em mim e que pouco importa porque todo mundo só vê o outro lado. Quem é todo mundo, eu me pergunto e o que isso importa?
Tudo? Nada? Um pouco, não sei, mais ou menos, morno, claro-escuro.
Eu sei de muita coisa que nada valhe e não entendo aquilo que preciso entender.
Quanto de mim presta, quanto posso jogar fora? Ou devo reciclar?
Eu penso em muitas coisas e sei apreciar uma boa paisagem, mas das minhas impressões do mundo, quem quer saber? Quem quer saber o que penso ou passar uma tarde só pra papear?
Quem quer ser meu amigo, meu melhor amigo, o melhor que há?
Não quero bancar a coitadinha, mas ouvi dizer que há como ser feliz.
Vou anunciar meu próprio nome no super-mercado, eu vou me ligar. Vou me mandar flores e quem sabe um cartão postal.
Eu sou um paraíso catastrófico, um labirinto reto, um musical silencioso.
Sou um refúgio de sentimentos parados sem energia. Sou um átomo gigante, o maior que já existiu.
Eu poderia ser tão mais, mas eu sou não sei, mais ou menos, morno, claro-escuro.
Eu não tenho ninguém pra recostar a cabeça e contar quem eu sou de verdade. Primeiro porque penso que ninguém quer saber, segundo porque não tenho de fato alguém.
Eu me sinto eternamente solitária e acho graça dos meus exageros.
Eu culpo tudo isso a mim mesma e não há nada que eu faça, por mais que eu queira, que possa me mudar. Aprendi que gente velha não muda. Mas eu não sou tão velha assim. Ou sou?
Vivo num não sei, mais ou menos, morno, claro-escuro.
Vivo num um dia que irá melhorar, na paciência que irá me salvar, na confiaça de um dia melhor que o outro.
Mas e eu mesma?
Tenho eu fé em mim?
Não. Meus dedos apontam os estranhos, minha língua julga os outros e eu me perdi na superficialidade do mundo. Será que posso mudar?
Eu penso nos valores que me foram ensinados, nos meus gostos refinados e nas qualidades que me restam. Eu penso que há bom em mim e que pouco importa porque todo mundo só vê o outro lado. Quem é todo mundo, eu me pergunto e o que isso importa?
Tudo? Nada? Um pouco, não sei, mais ou menos, morno, claro-escuro.
Eu sei de muita coisa que nada valhe e não entendo aquilo que preciso entender.
Quanto de mim presta, quanto posso jogar fora? Ou devo reciclar?
Eu penso em muitas coisas e sei apreciar uma boa paisagem, mas das minhas impressões do mundo, quem quer saber? Quem quer saber o que penso ou passar uma tarde só pra papear?
Quem quer ser meu amigo, meu melhor amigo, o melhor que há?
Não quero bancar a coitadinha, mas ouvi dizer que há como ser feliz.
Vou anunciar meu próprio nome no super-mercado, eu vou me ligar. Vou me mandar flores e quem sabe um cartão postal.
Eu sou um paraíso catastrófico, um labirinto reto, um musical silencioso.
Sou um refúgio de sentimentos parados sem energia. Sou um átomo gigante, o maior que já existiu.
Eu poderia ser tão mais, mas eu sou não sei, mais ou menos, morno, claro-escuro.
Saturday, October 17, 2009
dia
O dia está tristemente lindo.
lindo porque chove de leve
e porque é de leve que se deve ser
e triste.
o triste sereno
sem desespero
sóbrio e sério
e tudo o que quero
hoje
é
só ser.
lindo porque chove de leve
e porque é de leve que se deve ser
e triste.
o triste sereno
sem desespero
sóbrio e sério
e tudo o que quero
hoje
é
só ser.
Friday, October 16, 2009
queridos amigos e amigas que não tenho,
queridos companheiros fiéis que se foram,
queridos parentes próximos tão distantes,
queridos colegas conspirantes,
queridos quem quer que sejam
o que importa?
ninguém quer saber!
ninguém sabe, ninguém nunca vai saber!
porque eu não tenho ninguém.
queria um humano-bicho-de-estimação.
queridos companheiros fiéis que se foram,
queridos parentes próximos tão distantes,
queridos colegas conspirantes,
queridos quem quer que sejam
o que importa?
ninguém quer saber!
ninguém sabe, ninguém nunca vai saber!
porque eu não tenho ninguém.
queria um humano-bicho-de-estimação.
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