Já estamos em novembro e eu nem acredito que maio já passou.
Já estamos em novembro
e tudo o que eu lembro
não aconteceu
aqui.
Antes, novembro era novembro
e eu era eu.
Agora é uma ventania maluca
uma chuva de folhas
uma vida sem nunca
uma noite sem sol.
O frio corta a cara
E a boca e o nariz
tudo amarronza
tudo avermelha
tudo amarela
meu novembro
agora é assim.
(happy halloween)
Friday, October 30, 2009
Sunday, October 25, 2009
Não sei
Eu não me abro com ninguém, não conto os meus medos e nem percebo efetivamente os meus defeitos. Penso que meus planos são infalíveis, talvez eu tenha a sindróme de Cebolinha. Não sou clara em relação aos meus anseios e escondo os meus receios.
Eu não tenho ninguém pra recostar a cabeça e contar quem eu sou de verdade. Primeiro porque penso que ninguém quer saber, segundo porque não tenho de fato alguém.
Eu me sinto eternamente solitária e acho graça dos meus exageros.
Eu culpo tudo isso a mim mesma e não há nada que eu faça, por mais que eu queira, que possa me mudar. Aprendi que gente velha não muda. Mas eu não sou tão velha assim. Ou sou?
Vivo num não sei, mais ou menos, morno, claro-escuro.
Vivo num um dia que irá melhorar, na paciência que irá me salvar, na confiaça de um dia melhor que o outro.
Mas e eu mesma?
Tenho eu fé em mim?
Não. Meus dedos apontam os estranhos, minha língua julga os outros e eu me perdi na superficialidade do mundo. Será que posso mudar?
Eu penso nos valores que me foram ensinados, nos meus gostos refinados e nas qualidades que me restam. Eu penso que há bom em mim e que pouco importa porque todo mundo só vê o outro lado. Quem é todo mundo, eu me pergunto e o que isso importa?
Tudo? Nada? Um pouco, não sei, mais ou menos, morno, claro-escuro.
Eu sei de muita coisa que nada valhe e não entendo aquilo que preciso entender.
Quanto de mim presta, quanto posso jogar fora? Ou devo reciclar?
Eu penso em muitas coisas e sei apreciar uma boa paisagem, mas das minhas impressões do mundo, quem quer saber? Quem quer saber o que penso ou passar uma tarde só pra papear?
Quem quer ser meu amigo, meu melhor amigo, o melhor que há?
Não quero bancar a coitadinha, mas ouvi dizer que há como ser feliz.
Vou anunciar meu próprio nome no super-mercado, eu vou me ligar. Vou me mandar flores e quem sabe um cartão postal.
Eu sou um paraíso catastrófico, um labirinto reto, um musical silencioso.
Sou um refúgio de sentimentos parados sem energia. Sou um átomo gigante, o maior que já existiu.
Eu poderia ser tão mais, mas eu sou não sei, mais ou menos, morno, claro-escuro.
Eu não tenho ninguém pra recostar a cabeça e contar quem eu sou de verdade. Primeiro porque penso que ninguém quer saber, segundo porque não tenho de fato alguém.
Eu me sinto eternamente solitária e acho graça dos meus exageros.
Eu culpo tudo isso a mim mesma e não há nada que eu faça, por mais que eu queira, que possa me mudar. Aprendi que gente velha não muda. Mas eu não sou tão velha assim. Ou sou?
Vivo num não sei, mais ou menos, morno, claro-escuro.
Vivo num um dia que irá melhorar, na paciência que irá me salvar, na confiaça de um dia melhor que o outro.
Mas e eu mesma?
Tenho eu fé em mim?
Não. Meus dedos apontam os estranhos, minha língua julga os outros e eu me perdi na superficialidade do mundo. Será que posso mudar?
Eu penso nos valores que me foram ensinados, nos meus gostos refinados e nas qualidades que me restam. Eu penso que há bom em mim e que pouco importa porque todo mundo só vê o outro lado. Quem é todo mundo, eu me pergunto e o que isso importa?
Tudo? Nada? Um pouco, não sei, mais ou menos, morno, claro-escuro.
Eu sei de muita coisa que nada valhe e não entendo aquilo que preciso entender.
Quanto de mim presta, quanto posso jogar fora? Ou devo reciclar?
Eu penso em muitas coisas e sei apreciar uma boa paisagem, mas das minhas impressões do mundo, quem quer saber? Quem quer saber o que penso ou passar uma tarde só pra papear?
Quem quer ser meu amigo, meu melhor amigo, o melhor que há?
Não quero bancar a coitadinha, mas ouvi dizer que há como ser feliz.
Vou anunciar meu próprio nome no super-mercado, eu vou me ligar. Vou me mandar flores e quem sabe um cartão postal.
Eu sou um paraíso catastrófico, um labirinto reto, um musical silencioso.
Sou um refúgio de sentimentos parados sem energia. Sou um átomo gigante, o maior que já existiu.
Eu poderia ser tão mais, mas eu sou não sei, mais ou menos, morno, claro-escuro.
Saturday, October 17, 2009
dia
O dia está tristemente lindo.
lindo porque chove de leve
e porque é de leve que se deve ser
e triste.
o triste sereno
sem desespero
sóbrio e sério
e tudo o que quero
hoje
é
só ser.
lindo porque chove de leve
e porque é de leve que se deve ser
e triste.
o triste sereno
sem desespero
sóbrio e sério
e tudo o que quero
hoje
é
só ser.
Friday, October 16, 2009
queridos amigos e amigas que não tenho,
queridos companheiros fiéis que se foram,
queridos parentes próximos tão distantes,
queridos colegas conspirantes,
queridos quem quer que sejam
o que importa?
ninguém quer saber!
ninguém sabe, ninguém nunca vai saber!
porque eu não tenho ninguém.
queria um humano-bicho-de-estimação.
queridos companheiros fiéis que se foram,
queridos parentes próximos tão distantes,
queridos colegas conspirantes,
queridos quem quer que sejam
o que importa?
ninguém quer saber!
ninguém sabe, ninguém nunca vai saber!
porque eu não tenho ninguém.
queria um humano-bicho-de-estimação.
Saturday, September 26, 2009
distraída
quase pus fogo na casa mas pelo menos agora mergulho o pão com manteiga no café com leite.
Thursday, August 27, 2009
Saturday, August 22, 2009
Tuesday, August 18, 2009
Sunday, August 9, 2009
Pimponela
Branco.
Branco
e puro e pequeno.
Pranto
De quando em quando
tanto, mas tanto
que quase me faz chorar!
Espanto, olhos gigantes
Eu canto e ele ri.
Eu te amo tanto, mas tanto...
um eterno amor insistente
amor adolescente
amor maternal
Branco
e puro e pequeno.
Pranto
De quando em quando
tanto, mas tanto
que quase me faz chorar!
Espanto, olhos gigantes
Eu canto e ele ri.
Eu te amo tanto, mas tanto...
um eterno amor insistente
amor adolescente
amor maternal
Wednesday, August 5, 2009
Budapeste
de patins branco e rosa
uma menina roda
na pracinha central.
me lembra uma história e
chico buarque -
o livro que eu perdi.
tento cantar
não lembro a letra.
eu rio de mim.
a menina roda ao som do relógio
que toca
e roda
no marasmo da pracinha central
a única coisa que muda
é a menina de patins
o resto
pa r o u. . .
uma menina roda
na pracinha central.
me lembra uma história e
chico buarque -
o livro que eu perdi.
tento cantar
não lembro a letra.
eu rio de mim.
a menina roda ao som do relógio
que toca
e roda
no marasmo da pracinha central
a única coisa que muda
é a menina de patins
o resto
pa r o u. . .



Sunday, August 2, 2009
Café da tarde
eu cheiro o café que você toma e tomo por ofensa não oferecer
mas no fundo eu nem te conheço
... é necessário conhecer?
a xícara, seus dedos, café preto adentro
café aguento que deve estar!
café morno e velho
café que não quero tomar.
eu cheiro o café que você toma, e olha e toma e mexe
e não oferece
deve estar doce demais!
eu cheiro o café feito errado,
o café estragado
de grão torrado
eu cheiro o seu café.
te olho ofendido depois disfarço um sorriso amigo
e te esbarro sem querer
Ops!
Cheiro o café secando na sua camisa de algodão.
mas no fundo eu nem te conheço
... é necessário conhecer?
a xícara, seus dedos, café preto adentro
café aguento que deve estar!
café morno e velho
café que não quero tomar.
eu cheiro o café que você toma, e olha e toma e mexe
e não oferece
deve estar doce demais!
eu cheiro o café feito errado,
o café estragado
de grão torrado
eu cheiro o seu café.
te olho ofendido depois disfarço um sorriso amigo
e te esbarro sem querer
Ops!
Cheiro o café secando na sua camisa de algodão.
Saturday, July 25, 2009
GRANDE
Eu quero ser grande e grande eu serei
Há algo em minha alma que cutuca
e pinica
e fâniquita tudo e me faz inquietar
Pois eu quero mais e mais e mais
Eu sei que posso por isso não temo
E nunco espero o pior
Eu penso em tudo que a vida tem pra dar
E junto em mim forças
Que me fazem acreditar
Eu quero ser grande e grande eu serei
Há algo em minha alma que cutuca
e pinica
e fâniquita tudo e me faz inquietar
Pois eu quero mais e mais e mais
Eu sei que posso por isso não temo
E nunco espero o pior
Eu penso em tudo que a vida tem pra dar
E junto em mim forças
Que me fazem acreditar
Eu quero ser grande e grande eu serei
Sunday, July 12, 2009
Capítulo primeiro
Aquele era de fato o pior dia de sua vida. Nunca sentira um vazio tamanho, uma solidão tão gigantesca e nunca antes havia chorado tanto. Os músculos do rosto estavam fatigados, os olhos inchados, a cabeça podia explodir que ela não sentiria nada. Oito da noite. A casa estava silenciosamente escura e ela, na sua cama, olhava para a parede quase sem piscar. Amanhã teria que enfrentar o armário. Seria devastador. Resolveu rezar e no meio de uma prece, ficou com raiva e insultou Deus. Como assim? Por quê?
E ela que nunca sonhava, se convencia com muita força de que era tudo um sonho e logo iria acordar. Mas não acordava e nem conseguia dormir.
O telefone tocou.
- Alô? - ela atendeu no primeiro toque.
- Ciça? Tudo bem? É a Ivone.
- Oi! Ivone.
- Como você está? Te acordei?
- Não, eu não consigo dormir.
- Eu estava pensando, será que seria bom eu te fazer companhia esta noite?
- Claro, pode vir.
- Que tal se eu passar no árabe e comprar umas esfihas?
- Eu não estou com fome, mas pode comprar.
- Então tá, daqui uma meia hora estou aí.
- Tá bom. Tchau.
- Beijo, tchau!
Nessa meia hora, Ciça dormiu e sonhou que estava acordando de um sonho.
A janela do seu quarto era muito maior e se via a luz do Sol clara, branca. Ela estava deitada na cama, e olhava a janela. Quando virou para o lado, Alberto estava lá, dormindo. Ela, desesperada, o acordou, beijou o seu rosto inteiro segurando a sua cabeça com as duas mãos. Ele perguntou calmamente que horas eram e ela o ignorou contando que tinha sonhada que ele tinha...
A campanhia tocou. Era a Ivone.
E ela que nunca sonhava, se convencia com muita força de que era tudo um sonho e logo iria acordar. Mas não acordava e nem conseguia dormir.
O telefone tocou.
- Alô? - ela atendeu no primeiro toque.
- Ciça? Tudo bem? É a Ivone.
- Oi! Ivone.
- Como você está? Te acordei?
- Não, eu não consigo dormir.
- Eu estava pensando, será que seria bom eu te fazer companhia esta noite?
- Claro, pode vir.
- Que tal se eu passar no árabe e comprar umas esfihas?
- Eu não estou com fome, mas pode comprar.
- Então tá, daqui uma meia hora estou aí.
- Tá bom. Tchau.
- Beijo, tchau!
Nessa meia hora, Ciça dormiu e sonhou que estava acordando de um sonho.
A janela do seu quarto era muito maior e se via a luz do Sol clara, branca. Ela estava deitada na cama, e olhava a janela. Quando virou para o lado, Alberto estava lá, dormindo. Ela, desesperada, o acordou, beijou o seu rosto inteiro segurando a sua cabeça com as duas mãos. Ele perguntou calmamente que horas eram e ela o ignorou contando que tinha sonhada que ele tinha...
A campanhia tocou. Era a Ivone.
Saturday, July 11, 2009
BRB
De tanto pensar na vida e me perguntar - sem sorte - do futuro não tão presente, estou falando daquele lá da frente, daquele de quando eu não estiver mais aqui.
De tanto fazer isso, resolvi mudar.
Então agora eu me questiono o por que eu me preocupava em me perguntar.
Estranha gente que fez as horas!
Criou os minutos!
Agora vivo num num presente de projetar futuro
muito ocupado pra rir com o passado.
De tanto pensar na vida só durmo de lado,
olhando os pensamentos claros
de lindos anjos que inventei
E quero expressar tudo o que eu sinto
Mas não tenho tempo
BRB
De tanto fazer isso, resolvi mudar.
Então agora eu me questiono o por que eu me preocupava em me perguntar.
Estranha gente que fez as horas!
Criou os minutos!
Agora vivo num num presente de projetar futuro
muito ocupado pra rir com o passado.
De tanto pensar na vida só durmo de lado,
olhando os pensamentos claros
de lindos anjos que inventei
E quero expressar tudo o que eu sinto
Mas não tenho tempo
BRB
Monday, July 6, 2009
O bilhete
luz e sombra
caligrafria desconfiada
a caneta é muito leve
- à tinta
folha branca e borrada
um "a" vira um "o"
no cabeçalho sem data
Olha de perto e longe
- Palavras que não dizem nada!
Amassa o papel com raiva.
Folha nova
Procura um lápis
de cor
azul
claro.
Dessa vez sentou
Se concentrou
Aumentou a luz
Enfrentou a caneta
E o papel
Letra por letra
Devagarinho
Com gentileza
T
TE
TE A
TE AM
TE AMO!
Pos o bilhete no centro da mesa
E foi-se
E nunca mais voltou
Obs* - O bilhete nunca foi lido
caligrafria desconfiada
a caneta é muito leve
- à tinta
folha branca e borrada
um "a" vira um "o"
no cabeçalho sem data
Olha de perto e longe
- Palavras que não dizem nada!
Amassa o papel com raiva.
Folha nova
Procura um lápis
de cor
azul
claro.
Dessa vez sentou
Se concentrou
Aumentou a luz
Enfrentou a caneta
E o papel
Letra por letra
Devagarinho
Com gentileza
T
TE
TE A
TE AM
TE AMO!
Pos o bilhete no centro da mesa
E foi-se
E nunca mais voltou
Obs* - O bilhete nunca foi lido
Monday, June 22, 2009
Notas breves de um dia longo
Eu espero que com o passar do tempo, o avanço da idade e o cansaça da vida eu aprenda o que é a morte. Até lá eu só vou pensar na vida.
Tudo o que eu queria escutar eu mesma falo, às vezes olhando pro espelho, às vezes pro meu pé e às vezes, quando o olho vira e espia os pensamentos, olhando pros miúdos de mim.
Nos dias quentes de verão, eu juro que vejo neve, depois aprendo que são sementes brancas que flutuam livres pelo ar. Seria interessante numa atmosfera quente uns flocos de neve gelados no nariz.
A coisa se indefinine numa imprecisão insólita. A coisa!
Tudo o que eu queria escutar eu mesma falo, às vezes olhando pro espelho, às vezes pro meu pé e às vezes, quando o olho vira e espia os pensamentos, olhando pros miúdos de mim.
Nos dias quentes de verão, eu juro que vejo neve, depois aprendo que são sementes brancas que flutuam livres pelo ar. Seria interessante numa atmosfera quente uns flocos de neve gelados no nariz.
A coisa se indefinine numa imprecisão insólita. A coisa!
Friday, June 19, 2009
Eu me imagino menina, ossos pequenos, cabelos compridos e olhos sem fim. Olhos verdes - verdes e ponto, não daqueles que mudam de cor. Tenho um vestido branco de tecido suave, mais algodão do que ceda, mais botão do que fita, mais comprido que curto que voa com o balanço do andar.
Estou assim, menina, na rua da casa velha, seis e meia da tarde, horário de verão. Pedregulho de asfalto que brilha, ando com a cabeça baixa, analisando o chão que piso. As unhas são pequeninas, as mãos macias e os dedos sem anéis.
Estou assim, menina, na rua da casa velha, seis e meia da tarde, horário de verão. Pedregulho de asfalto que brilha, ando com a cabeça baixa, analisando o chão que piso. As unhas são pequeninas, as mãos macias e os dedos sem anéis.
Thursday, June 18, 2009
Wednesday, May 13, 2009
Wednesday, April 29, 2009
Perfeita Simetria - Engenheiros
Toda vez que toca o telefone
Eu penso que é você
Toda noite de insônia
Eu penso em te escrever
Pra dizer
Que o teu silêncio me agride
E não me agrada ser
Um calendário do ano passado
Prá dizer que teu crime me cansa
E não compensa entrar na dança
Depois que a música parou
A música parou (Parou!)
Toda vez que toca o telefone
Eu penso que é você
Toda noite de insônia
Eu penso em te escrever
Escrever uma carta definitiva
Que não dê alternativa
Prá quem lê
Te chamar de carta fora do baralho
Descartar, embaralhar você
E fazer você voltar
[Ao tempo em que nada
Nos dividia
Havia motivo pra tudo
E tudo era motivo pra mais
Era perfeita simetria
Éramos duas metades iguais
Ao tempo em que nada
Nos dividia
Havia motivo pra tudo
E tudo era motivo pra mais
Era perfeita simetria
Éramos duas metades iguais
O teu maior defeito
Talvez seja a perfeição
Tuas virtudes
Talvez não tenham solução
Então pegue o telefone
Ou um avião
Deixe de lado
Os compromissos marcados
Perdoa o que puder ser perdoado
Esquece o que não tiver perdão
E vamos voltar aquele lugar
vamos voltar
Eu penso que é você
Toda noite de insônia
Eu penso em te escrever
Pra dizer
Que o teu silêncio me agride
E não me agrada ser
Um calendário do ano passado
Prá dizer que teu crime me cansa
E não compensa entrar na dança
Depois que a música parou
A música parou (Parou!)
Toda vez que toca o telefone
Eu penso que é você
Toda noite de insônia
Eu penso em te escrever
Escrever uma carta definitiva
Que não dê alternativa
Prá quem lê
Te chamar de carta fora do baralho
Descartar, embaralhar você
E fazer você voltar
[Ao tempo em que nada
Nos dividia
Havia motivo pra tudo
E tudo era motivo pra mais
Era perfeita simetria
Éramos duas metades iguais
Ao tempo em que nada
Nos dividia
Havia motivo pra tudo
E tudo era motivo pra mais
Era perfeita simetria
Éramos duas metades iguais
O teu maior defeito
Talvez seja a perfeição
Tuas virtudes
Talvez não tenham solução
Então pegue o telefone
Ou um avião
Deixe de lado
Os compromissos marcados
Perdoa o que puder ser perdoado
Esquece o que não tiver perdão
E vamos voltar aquele lugar
vamos voltar
Tuesday, April 21, 2009
Monday, April 20, 2009
Sunday, April 19, 2009
prece
Eu peço aos deuses,
a todos os santos
eu peço também aos anjos
que conserve o amor
que faça com que o tempo
pare
e que sejamos sempre assim
Peço com força e medo
todas as noites antes de adormecer
peço a quem quer que seja
que esteja a me ouvir
peço vividamente que não deixe o tempo agir
Quero o amor de mantas mornas
e do nosso próprio linguajar
que deus ache isso tudo muito lindo
e queira nos ajudar
amém.
a todos os santos
eu peço também aos anjos
que conserve o amor
que faça com que o tempo
pare
e que sejamos sempre assim
Peço com força e medo
todas as noites antes de adormecer
peço a quem quer que seja
que esteja a me ouvir
peço vividamente que não deixe o tempo agir
Quero o amor de mantas mornas
e do nosso próprio linguajar
que deus ache isso tudo muito lindo
e queira nos ajudar
amém.
Saturday, April 11, 2009
No lago
De joelhos, na beira do lago
- braço comprido que alcança a outra margem.
pensar com a visão distorcida pelo sol
sentir com todos os poros o vento
- assovio que me conta os segredos que ninguém sabe.
- braço comprido que alcança a outra margem.
pensar com a visão distorcida pelo sol
sentir com todos os poros o vento
- assovio que me conta os segredos que ninguém sabe.
Tuesday, April 7, 2009
Depoimento do sofredor
O silêncio não mais me angustia, o escuro não me põe medo e já posso olhar pela janela quando venta à noite. Agora os meus medos são outros, assim como meus anseios e os meus meios de felicidade. Não vou dizer que sou outro, que nasci de novo. A essência é anexa à alma.
A língua de um homem diz o que quer, sem isso muito significar hoje em dia. Lamento, mas a palavra é tudo o que eu tenho e digo que não sou outro, mas afirmo que mudei. O sofrimento lava a mente e a fortifica e é por ele que muitos crescem, e por ele eu cresci. Curioso como apenas percebemos diversas importantes coisas depois que algo ruim acontece. Eu sou um homem que teve que perder e sofrer para compreender e eu não estou sozinho. Todos têm muito em comum no mundo. Nossas almas são tão imperfeitamente parecidas! Chego a pensar que somos todos um, mas em corpos diferentes, assim podemos nos identificar no outro. Mas depois penso que estou pensando demais e me silencio, apago as luzes e assisto ao vendaval pela janela.
A língua de um homem diz o que quer, sem isso muito significar hoje em dia. Lamento, mas a palavra é tudo o que eu tenho e digo que não sou outro, mas afirmo que mudei. O sofrimento lava a mente e a fortifica e é por ele que muitos crescem, e por ele eu cresci. Curioso como apenas percebemos diversas importantes coisas depois que algo ruim acontece. Eu sou um homem que teve que perder e sofrer para compreender e eu não estou sozinho. Todos têm muito em comum no mundo. Nossas almas são tão imperfeitamente parecidas! Chego a pensar que somos todos um, mas em corpos diferentes, assim podemos nos identificar no outro. Mas depois penso que estou pensando demais e me silencio, apago as luzes e assisto ao vendaval pela janela.
O mundo
Eu conheço muito pouco do mundo
e o mundo conhece menos ainda de mim
tantas barcas pequenas em mares infindos
tantos amores presos em línguas tímidas
tantas tardes pensadas no ato livre de pensar
a janela que dava pro nada
a porta que abria-se para um abismo
o beco escuro com saída prum muro
lugares que mesclam-se com coisas
que mesclam-se com pessoas
que mesclam-se com o sentir e também o pensar
Eu não conheço nada do mundo
por isso o imagino perfeitamente como é
se o conhecesse tão bem
o mistério seria um fato
o fato seria uma memória
a memória seria esquecida
e transformaria-se numa fotografia velha e esquecida
pendurada numa parede sem importância
prefiro o mistério e a liberdade de imaginar
e imagino o mundo como um pedaço de mim
e o mundo conhece menos ainda de mim
tantas barcas pequenas em mares infindos
tantos amores presos em línguas tímidas
tantas tardes pensadas no ato livre de pensar
a janela que dava pro nada
a porta que abria-se para um abismo
o beco escuro com saída prum muro
lugares que mesclam-se com coisas
que mesclam-se com pessoas
que mesclam-se com o sentir e também o pensar
Eu não conheço nada do mundo
por isso o imagino perfeitamente como é
se o conhecesse tão bem
o mistério seria um fato
o fato seria uma memória
a memória seria esquecida
e transformaria-se numa fotografia velha e esquecida
pendurada numa parede sem importância
prefiro o mistério e a liberdade de imaginar
e imagino o mundo como um pedaço de mim
Tuesday, March 3, 2009
Solidão
Solidão é silenciosa e gorda. Ela é uma mulher de chapéu de festa verde periquito com paetê rosa. Com sombra pesada nas pálpebras, o piscar de olhos chama mais atenção do que os olhos em si, murchos e sem graça. Solidão tem uma aura escura e densa e deve-se evitar bocejos em sua presença. Quando ela senta à mesa de jantar, a indigestão é eminente, iniciada por um soluço agudo e alto que demora a passar. Ela não fala, posto que é silenciosa, mas sua presença é marcante: ela só te olha e te invade os mais íntimos pensamentos. Uns fingem, outros estampam na cara uma vermelidão de culpa sem gracisse. Ela sabe que é potente, mesmo sendo cafona e feia, porém também sabe dos seus limites e suas fragilidades e levanta-se delicadamente, virando as costas, sem de despedir e vai embora. Mas isso para uns demora. Solidão é amiga do tempo. Sua onipresença me incomada e sinto que divido a cama com ela. Quando penso que isso é impossível e vou acender a luz para me certificar de que estou sozinho, lá está ela, na cadeira da escrivaninha, me olhando com seus olhos idiotas. Não conto ou reclamo a ninguém, isso a fará mais forte, mais gorda e espaçosa.
No lado de fora do café, encontro uma mesa vazia e sento-me. Leio uma revista fútil para parecer entretido com alguma coisa. Lá vem ela. A reconheço de longe e vem e minha direção. Faço como não a tivesse visto, mas ela sabe, ela olha e me invade, ela está vindo pra mim.
Peço ao garçom mais uma xícara de café e entrego a ela, mas ela faz pouco caso e nem agradece.
Levanto e a deixo com o café, com a revista e com a conta pra pagar.
No lado de fora do café, encontro uma mesa vazia e sento-me. Leio uma revista fútil para parecer entretido com alguma coisa. Lá vem ela. A reconheço de longe e vem e minha direção. Faço como não a tivesse visto, mas ela sabe, ela olha e me invade, ela está vindo pra mim.
Peço ao garçom mais uma xícara de café e entrego a ela, mas ela faz pouco caso e nem agradece.
Levanto e a deixo com o café, com a revista e com a conta pra pagar.
Sunday, February 8, 2009
?
será o peso sobre as pálpebras?
o suor nas mãos?
a língua cansada?
o que será?
qual é a linguagem do mundo?
o sentido dos sonhos?
o poder do pensamento?
encheria mundos com perguntas que só fazem sentido por não terem respostas.
o suor nas mãos?
a língua cansada?
o que será?
qual é a linguagem do mundo?
o sentido dos sonhos?
o poder do pensamento?
encheria mundos com perguntas que só fazem sentido por não terem respostas.
Friday, February 6, 2009
Dor
estou com dor nos olhos
dor de cabeça,
no fundo
há poeira láctea nos meus cromossomos
e uma válvula absurda
dentro do peito que pulsa
há uma tensão de quinta grandeza
nas mãos trêmulas
peço uma aspirina,
mas sem água
que escorrega dentre os dedos
e é engolida pelo sofá
um buraco negro inconstante
um repouso para o corpo
e fecho os olhos que doem
dor de cabeça,
no fundo
há poeira láctea nos meus cromossomos
e uma válvula absurda
dentro do peito que pulsa
há uma tensão de quinta grandeza
nas mãos trêmulas
peço uma aspirina,
mas sem água
que escorrega dentre os dedos
e é engolida pelo sofá
um buraco negro inconstante
um repouso para o corpo
e fecho os olhos que doem
Terno
Eu vejo o mundo com um olhar espantado
E aponto as coisas belas e as coisas feias também
Como uma criança que acaba de descobrir a tudo e tem muita admiração
Ela não precisa entender
(Talvez o entendimento esteja na pura admiração)
Eu vejo o mundo com um olhar espantado, admirado e iluminado e preservo a ternura em mim
E aponto as coisas belas e as coisas feias também
Como uma criança que acaba de descobrir a tudo e tem muita admiração
Ela não precisa entender
(Talvez o entendimento esteja na pura admiração)
Eu vejo o mundo com um olhar espantado, admirado e iluminado e preservo a ternura em mim
Mentira
Invejo o mentiroso. Ele mente com uma destreza, com uma confiança, com uma veracidade!
As minhas mentiras são engasgadas, os olhos mudam de jeito, ficam feios e pequenos. O sangue borbulha no corpo e vem todo parar no rosto, fazendo as bochechas muito vermelhas.
Não posso mentir.
As minhas mentiras são engasgadas, os olhos mudam de jeito, ficam feios e pequenos. O sangue borbulha no corpo e vem todo parar no rosto, fazendo as bochechas muito vermelhas.
Não posso mentir.
Friday, January 16, 2009
Infantil
Só o amor sabe ser eterno num instante
E breve numa eternidade
Calando quando a palavra não nutre
- bastam os olhos para ver a verdade.
E breve numa eternidade
Calando quando a palavra não nutre
- bastam os olhos para ver a verdade.
Tuesday, January 13, 2009
Borboletas!
Friday, January 9, 2009
Estrela
Era uma tímida manhã fria que se esconde dentre nuvens escuras. Era uma metáfora de mim, que em algum momento iria clarear e mostrar todo o infinito azul. Quem pra sempre pode ser tão cinzento, frio? Eu ia esquecendo o guarda-chuva, as palavras amigas e um pedaço de mim que guardei na última gaveta, rente ao chão. Olhava o céu conforme andava e mesmo assim não me ocorreu que a chuva era eminente e eu ia me molhar. Eu ia mole, devagar, me agradava meu próprio perfume. Eu, egocêntrica, egoísta, ia só comigo mesma, mas faltava um pedaço que guardei não lembrava mais onde. Sem saber o que procura, chequei os bolsos. Vazios. Não importa, tenho a mim, um ser único e intrigante. Os passeios são indecentes, quebradiços, ora estreitos, ora largos. Xingo a prefeitura. O parque era o destino e estava próximo, uma gota forte pingou no meu nariz. O parque estava vazio e cheirava ao ar puro que confundi com meu perfume. Escolhi um banco e sentei-me. A chuva veio forte no mesmo instante, mas não me movi. Assisti ao espetáculo sem sentir-me incomodada e logo o céu mostrou-se azul. No céu claro, eu vi uma estrela, a maior delas, a mais brilhante, que me secou.
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