Toda vez que toca o telefone
Eu penso que é você
Toda noite de insônia
Eu penso em te escrever
Pra dizer
Que o teu silêncio me agride
E não me agrada ser
Um calendário do ano passado
Prá dizer que teu crime me cansa
E não compensa entrar na dança
Depois que a música parou
A música parou (Parou!)
Toda vez que toca o telefone
Eu penso que é você
Toda noite de insônia
Eu penso em te escrever
Escrever uma carta definitiva
Que não dê alternativa
Prá quem lê
Te chamar de carta fora do baralho
Descartar, embaralhar você
E fazer você voltar
[Ao tempo em que nada
Nos dividia
Havia motivo pra tudo
E tudo era motivo pra mais
Era perfeita simetria
Éramos duas metades iguais
Ao tempo em que nada
Nos dividia
Havia motivo pra tudo
E tudo era motivo pra mais
Era perfeita simetria
Éramos duas metades iguais
O teu maior defeito
Talvez seja a perfeição
Tuas virtudes
Talvez não tenham solução
Então pegue o telefone
Ou um avião
Deixe de lado
Os compromissos marcados
Perdoa o que puder ser perdoado
Esquece o que não tiver perdão
E vamos voltar aquele lugar
vamos voltar
Wednesday, April 29, 2009
Tuesday, April 21, 2009
Monday, April 20, 2009
Sunday, April 19, 2009
prece
Eu peço aos deuses,
a todos os santos
eu peço também aos anjos
que conserve o amor
que faça com que o tempo
pare
e que sejamos sempre assim
Peço com força e medo
todas as noites antes de adormecer
peço a quem quer que seja
que esteja a me ouvir
peço vividamente que não deixe o tempo agir
Quero o amor de mantas mornas
e do nosso próprio linguajar
que deus ache isso tudo muito lindo
e queira nos ajudar
amém.
a todos os santos
eu peço também aos anjos
que conserve o amor
que faça com que o tempo
pare
e que sejamos sempre assim
Peço com força e medo
todas as noites antes de adormecer
peço a quem quer que seja
que esteja a me ouvir
peço vividamente que não deixe o tempo agir
Quero o amor de mantas mornas
e do nosso próprio linguajar
que deus ache isso tudo muito lindo
e queira nos ajudar
amém.
Saturday, April 11, 2009
No lago
De joelhos, na beira do lago
- braço comprido que alcança a outra margem.
pensar com a visão distorcida pelo sol
sentir com todos os poros o vento
- assovio que me conta os segredos que ninguém sabe.
- braço comprido que alcança a outra margem.
pensar com a visão distorcida pelo sol
sentir com todos os poros o vento
- assovio que me conta os segredos que ninguém sabe.
Tuesday, April 7, 2009
Depoimento do sofredor
O silêncio não mais me angustia, o escuro não me põe medo e já posso olhar pela janela quando venta à noite. Agora os meus medos são outros, assim como meus anseios e os meus meios de felicidade. Não vou dizer que sou outro, que nasci de novo. A essência é anexa à alma.
A língua de um homem diz o que quer, sem isso muito significar hoje em dia. Lamento, mas a palavra é tudo o que eu tenho e digo que não sou outro, mas afirmo que mudei. O sofrimento lava a mente e a fortifica e é por ele que muitos crescem, e por ele eu cresci. Curioso como apenas percebemos diversas importantes coisas depois que algo ruim acontece. Eu sou um homem que teve que perder e sofrer para compreender e eu não estou sozinho. Todos têm muito em comum no mundo. Nossas almas são tão imperfeitamente parecidas! Chego a pensar que somos todos um, mas em corpos diferentes, assim podemos nos identificar no outro. Mas depois penso que estou pensando demais e me silencio, apago as luzes e assisto ao vendaval pela janela.
A língua de um homem diz o que quer, sem isso muito significar hoje em dia. Lamento, mas a palavra é tudo o que eu tenho e digo que não sou outro, mas afirmo que mudei. O sofrimento lava a mente e a fortifica e é por ele que muitos crescem, e por ele eu cresci. Curioso como apenas percebemos diversas importantes coisas depois que algo ruim acontece. Eu sou um homem que teve que perder e sofrer para compreender e eu não estou sozinho. Todos têm muito em comum no mundo. Nossas almas são tão imperfeitamente parecidas! Chego a pensar que somos todos um, mas em corpos diferentes, assim podemos nos identificar no outro. Mas depois penso que estou pensando demais e me silencio, apago as luzes e assisto ao vendaval pela janela.
O mundo
Eu conheço muito pouco do mundo
e o mundo conhece menos ainda de mim
tantas barcas pequenas em mares infindos
tantos amores presos em línguas tímidas
tantas tardes pensadas no ato livre de pensar
a janela que dava pro nada
a porta que abria-se para um abismo
o beco escuro com saída prum muro
lugares que mesclam-se com coisas
que mesclam-se com pessoas
que mesclam-se com o sentir e também o pensar
Eu não conheço nada do mundo
por isso o imagino perfeitamente como é
se o conhecesse tão bem
o mistério seria um fato
o fato seria uma memória
a memória seria esquecida
e transformaria-se numa fotografia velha e esquecida
pendurada numa parede sem importância
prefiro o mistério e a liberdade de imaginar
e imagino o mundo como um pedaço de mim
e o mundo conhece menos ainda de mim
tantas barcas pequenas em mares infindos
tantos amores presos em línguas tímidas
tantas tardes pensadas no ato livre de pensar
a janela que dava pro nada
a porta que abria-se para um abismo
o beco escuro com saída prum muro
lugares que mesclam-se com coisas
que mesclam-se com pessoas
que mesclam-se com o sentir e também o pensar
Eu não conheço nada do mundo
por isso o imagino perfeitamente como é
se o conhecesse tão bem
o mistério seria um fato
o fato seria uma memória
a memória seria esquecida
e transformaria-se numa fotografia velha e esquecida
pendurada numa parede sem importância
prefiro o mistério e a liberdade de imaginar
e imagino o mundo como um pedaço de mim
Subscribe to:
Posts (Atom)