Thursday, April 14, 2011

Volátil

É bom saber que o que faço, os outros fazem também. Cada baralho tem um curinga, a cada dúzia tem um como eu. É confortável fazer parte de um todo e ver nos outros um pouco de mim. Aquelas manias estranhas, vícios indesejados, defeitos - se há que exista defeito quando ninguém é perfeito.
As coisas boas que tenho em comum com os outros é um pouco mais difícil de assumir. Intrisicamente temos aquele senso de competitividade. Alguns não o tem, ou fingem que não, e os julgo -mesmo sendo pretensioso julgar atitudes alheias - demasiadamente solidários, humildes, sendo essas qualidades um grande defeito quando extremas.
Sou como aquela pessoa, e como aquela outra. Tudo o que ela faz, eu faço, mas de maneira diferente. Ponho um passarinho na gaiola, ou esqueço a luz acesa. Mas a minha determinação e habilidade profissional são tão boas que sou melhor que aquela pessoa no trabalho.
Depois penso de novo e mudo de idéia, e oscilo. Voluvelmente decido que sou única -como qualquer um.
As vozes na minha cabeça são os outros e o que sou não é nada sem eles.
Queria mesmo era entender ao invés de imaginar. Talvez eu seja aquele curinga descartado e perdido. Mas só talvez.

Saturday, April 9, 2011

Sonetinho procê

Se sei que nada sei
quero então saber de tudo.
Olho dentro de você
e vejo tanto e muito!

Sei que pode ser
Mas não sei o que
Nem você ou eles
Nem ninguém entende.

Suspiro lento
E penso, e planejo
E tento e desejo

Sentindo e sabendo
me vi por dentro
e vi você!

Tuesday, January 11, 2011

era eu

Antes eu sabia das coisas da vida.
Eu vejo as fotos e lembro de cada minucioso detalhe, aroma, sensação.
Cheia de planos, de sonhos, de tempo.
Cheia de fotos e de escritos, cheia de liberdade e de vontade.
Eu era uma lua cheia que iluminava o céu do meu bairro morno e quente no hemisfério sul.
Eu gostava de ser quem eu era e não teimava em mudar.
Era o meu primeiro ano de adulta, numa fase maluca de energia e amor.
Eu era suave e leve, pequena e forte numa vida tão simples que não precisava mais nada.
Eu saia e vinha, ia e voltava num compasso harmonioso com o meu ser e querer.
Eu era livre e fazia o que queria com quem quer que fosse.
As consequências eram tão boas que deitava na cama, com o pé pra cima e suspirava.

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