Thursday, April 14, 2011

Volátil

É bom saber que o que faço, os outros fazem também. Cada baralho tem um curinga, a cada dúzia tem um como eu. É confortável fazer parte de um todo e ver nos outros um pouco de mim. Aquelas manias estranhas, vícios indesejados, defeitos - se há que exista defeito quando ninguém é perfeito.
As coisas boas que tenho em comum com os outros é um pouco mais difícil de assumir. Intrisicamente temos aquele senso de competitividade. Alguns não o tem, ou fingem que não, e os julgo -mesmo sendo pretensioso julgar atitudes alheias - demasiadamente solidários, humildes, sendo essas qualidades um grande defeito quando extremas.
Sou como aquela pessoa, e como aquela outra. Tudo o que ela faz, eu faço, mas de maneira diferente. Ponho um passarinho na gaiola, ou esqueço a luz acesa. Mas a minha determinação e habilidade profissional são tão boas que sou melhor que aquela pessoa no trabalho.
Depois penso de novo e mudo de idéia, e oscilo. Voluvelmente decido que sou única -como qualquer um.
As vozes na minha cabeça são os outros e o que sou não é nada sem eles.
Queria mesmo era entender ao invés de imaginar. Talvez eu seja aquele curinga descartado e perdido. Mas só talvez.

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